Amniocentese

Amniocentese

O que é a Amniocentese?

A amniocentese é uma técnica de diagnóstico pré-natal que permite a colheita de liquído amniótico. A análise laboratorial do liquído, e em particular das células do feto que nele existem, permitem o diagnóstico in útero de várias doenças fetais.

 

Em que consiste uma amniocentese:

A técnica consiste na punção da cavidade onde o feto está alojado.

Utiliza-se uma agulha fina e comprida, acoplada a um sistema que tem uma seringa, que perfura a pele do abdómen e atravessa sucessivos tecidos (gordura, músculo, útero) até ao saco amniótico. Quando correctamente posicionada retiram-se alguns mililitros de líquido (cerca de 1 ml por cada semana de gestação) sendo enviado para um laboratório especializado para a realização de várias análises.

A técnica é muito pouco dolorosa, não necessitando de anestesia; a dor é semelhante à que se sente quando se tira sangue.

Para uma correcta realização esta punção é feita com o auxílio da ecografia, que permite a monitorização da agulha e minimiza as complicações.

 

Quando se usa (INDICAÇÕES):

A amniocentese aplica-se em várias situações obstétricas, sendo a mais comum o diagnóstico pré-natal das alterações do cariótipo fetal, isto é, a avaliação do número e morfologia dos cromossomas fetais.

A doença mais frequente que se pode detectar é a Síndrome de Down, ou Trissomia 21 – alteração do cromossoma 21 que surge em triplicado(o cariótipo normal tem 23 pares de cromossomas numerados de 1 a 23 mais dois cromossomas sexuais – XX nas mulheres e XY nos homens).

Para a detecção desta síndrome devem fazer amniocentese todas as grávidas com idade igual ou superior a 35 anos na altura do parto, ou que, se tiverem menos de 35 anos, tenham um rastreio positivo, indicador de um risco elevado de serem portadoras de um feto com esta alteração. Este rastreio é realizado através de ecografia e/ou análises realizadas à mãe por volta das 12-13 semanas de gravidez.

Para além destas indicações, a existência de abortos de repetição, de alterações cromossómicas conhecidas nos pais, irmãos ou outros familiares directos, de algumas doenças genéticas conhecidas ou de malformações graves em gestações anteriores podem implicar a utilização desta técnica.

A amniocentese também é usada para determinar a maturidade fetal nas gestações mais avançadas ou para dosear substâncias características de várias doenças que ocorrem durante a gravidez para permitir opções terapêuticas aos obstetras.

 

Os cuidados e riscos de uma amniocentese:

A amniocentese, apesar de simples, não é isenta de riscos. Em centros com experiência e realizados por obstetras com treino a ocorrência de aborto, hemorragia, infecção ou rotura de membranas é muito baixo, apenas mais 1% do risco normal.

Aos 35 anos o risco de uma anomalia cromossómica é semelhante ao de aborto, razão pela qual não se preconiza uma amniocentese por rotina antes desta idade.

Assim, após a realização da amniocentese a grávida deve permanecer em repouso durante 2 dois sem realizar esforços que interfiram com a normal recuperação do útero e que possam aumentar o risco de complicações.

Onde e como fazer:

A realização da amniocentese é uma decisão pessoal devendo ser partilhada com o obstetra que segue a sua gravidez, antes das 12 semanas de gestação. Para além da sua idade, o seu médico tem em conta outros factores e pode aconselhá-la adequadamente.

O envio para um centro especializado para a sua realização está facilitado, podendo recorrer a Hospitais públicos ou a centros e clínicas privadas.

Deve informar-se das condições em que se realizam, dos prazos de entrega dos resultados (entre 9 e 30 dias de acordo com os vários laboratórios), dos preços e das condições de suporte e apoio (nomeadamente da existência de obstetras e geneticistas capazes de aconselhar em caso de dúvidas ou alterações do exame).

 

Nota:

Os artigos aqui expressos são por norma generalistas, com utilização de termos ou situações comuns, sem preocupações exaustivas de apresentar todas as opções técnicas, mas sim as mais frequentes. Em caso de dúvida, ou se desejar aprofundar este ou outros temas aconselhamos o dialogo com o seu médico assistente para o seu caso particular ou o recurso a centros especializados que apreciem devidamente, na sua presença, as suas questões.