Incontinência Urinária, Gravidez e Parto
Após uma gravidez e associado à evolução do trabalho de parto, podem ocorrer perdas urinárias associadas a esforços físicos súbitos (como a tosse ou o levantamento de objectos pesados).
No entanto, esta complicação pode surgir anos após o parto e condicionar a qualidade de vida de uma mulher, limitando as suas actividades diárias (domésticas ou profissionais), impedindo a prática desportiva simples ou alterando mesmo os hábitos de higiene e as relações sexuais.
As perdas de urina começam por ser escassas e ocasionais mas com a evolução da situação podem ser abundantes e incapacitantes. A repercussão na vida da mulher é variável mas causa ansiedade provocando comportamentos defensivos com limitação social.
Como se faz o diagnóstico
O diagnóstico é essencialmente clínico, isto é, baseia-se nas queixas da mulher (muitas vezes ignoradas ou escondidas...) e na avaliação directa pelo médico assistente, normalmente durante a observação ginecológica.
Neste caso, é importante simular as situações que motivam a perda de urina, observando a mulher com a bexiga semi-cheia e provocando aumentos da pressão abdominal, com a tosse ou com movimentos abdominais bruscos.
A quantificação pode ser realizada com métodos simples (avaliando as perdas através da pesagem de um penso higiénico antes e depois das perdas referidas) ou utilizando meios complexos que medem a pressão da bexiga e da uretra e as suas relações com o esforço (Exame Uro-Dinâmico).
A repercussão da Incontinência na qualidade de vida é realizada através de inquéritos dirigidos que quantificam uma escala de sintomas e permitem comparar situações antes e depois do tratamento
Qual o tratamento?
O tratamento deve ser diferenciado caso a caso, de acordo com a gravidade das queixas, com a repercussão que têm na qualidade de vida da mulher e com as condições associadas.
A forma mais corrente passa pela a utilização de cirurgia, com resultados e sucessos variáveis. Os tipos de cirurgia mais recentes implicam uma abordagem menos invasiva e menos agressiva e permitem ao médico reposicionar a anatomia da bexiga e da uretra para a situação que existia antes do parto.
Estão em desenvolvimento medicamentos que podem também melhorar a sintomatologia em causa, mas a sua utilização pressupõe um tratamento de longa duração (anos).
Actualmente os Hospitais Centrais têm consultas vocacionadas para esta problemática, mas esta doença é muito frequente nas mulheres que tiveram trabalhos de parto complicados, demorados ou com recursos a forceps. Assim as consultas e os tratamentos nos hospitais tendem a ser demorados e são invariavelmente colocados em segundo plano quando confrontados com a existência de doentes com Cancro ou outras doenças potencialmente letais (A incontinência urinária de esforço não mata...)
Assim deve contactar o seu ginecologista para avaliar a existência desta situação e caso ele considere que a gravidade da mesma o justifique certamente será encaminhada para um centro de Uroginecologia capaz de proceder ao diagnóstico e tratamento mais correcto.
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